Da sala para a estrada, como começou a aventura.

Km a km, registo das
5 etapas que criaram esta jornada.

Em imagens: lugares e pessoas, protagonistas da viagem.

1000Km, um carro.
A bordo do novo
Opel Meriva.

Há 20 anos, a viola campaniça era uma questão arrumada. Estava extinta, já nenhum velho a tocava. Antes do acordeão ter começado a dominar as festas, era ela a rainha no Baixo Alentejo. Tanto fazia companhia aos grupos de cante como actuava isolada, mais a dar tom à introspecção que ao bailarico. É instrumento com dez cordas duplas mas 12 afinadores, cintura acentuada e uma sonoridade aguda. Pedro Mestre era rapazola quando começou a investigá-la. «Eu não tinha mais de sete anos. Comecei a ouvir alguns programas de rádio onde passavam gravações antigas de viola campaniça. Fiquei curioso.»



Em Castro Verde, o instrumento ganhou uma segunda vida. E Pedro, 27 anos, fez vida com a viola que já ninguém ouvia. Andou pelas aldeias da região, de Odemira a Mértola, a aprender os segredos dos velhos. Com o tempo, compreendeu como afagar a madeira para construir uma boa guitarra, instruiu-se na técnica do dedilhar. «A minha mãe cantava no coro, eu estudava no conservatório de Castro Verde e, aos dez anos, já andava a fazer concertos com o pouco que sabia. Aos poucos, e sem querer, a viola campaniça tornou-se a minha vida.»

Há três anos, criou a sua empresa, toda ela dedicada ao instrumento que fora resgatar ao esquecimento. Dá emprego a cinco pessoas, ainda paga a colaboradores ocasionais. Também trabalha com musicólogos e antropólogos, importante é ir pesquisando mais. «Estou a dar em média uns três concertos por semana. Às vezes a solo, outras vezes com grupos corais. E todas as épocas do ano têm o seu repertório. As janeiras e os reis, o Entrudo e a Páscoa, a Primavera e as sementeiras, por exemplo.»



Além dos espectáculos, Pedro Mestre dá aulas de viola campaniça e faz workshops nas escolas. «Isso também é investir no futuro, assegurar que a arte permanece viva.» E recebe construtores de violas, que vão ter com ele para aprender a sua arte. Ainda tem um objectivo: trabalhar com outros géneros musicais, dentro e fora de Portugal. «Há que incutir criatividade à música tradicional, saber levá-la para onde ela antes não tinha lugar.»

Pedro agarra-se às cordas, vai contando histórias com os dedos. Está numa sala do fórum cultural de Castro Verde, anda a ensaiar e a gravar músicas. «Quando me meti nisto e disse que ia abrir uma empresa toda ela dedicada à viola campaniça, as pessoas começaram a dizer-me que era um risco demasiado grande, que não ia resultar.» A moda, que seguia lenta, aumenta de ritmo, é turbilhão alegre. «Mas, afinal de contas, apostei e apostei bem.»